Uma reflexão para mentes e corações abertos

Nunca fui santo…

“Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” – 1 Pedro 1:15.

Em primeiro lugar, é preciso entender o que significa a palavra santo. Na maioria, se conhece pela tradução da palavra em latim sanctus que oferece estes adjetivos:

1. Essencialmente puro, perfeito em tudo.
2. Que vive na lei de Deus.
3. Bem-aventurado, sagrado.
4. Eficaz; que cura.
5. Santificado (ex.: dia santo).
6. Inocente; imaculado; inviolável.
7. Dedicado a Deus.
8. Indivíduo canonizado.
9. Indivíduo que morreu em estado de santidade.
10. Pessoa de extraordinária bondade.
A religião católica que tem a bíblia como texto oficial de sua estrutura organizada, é grande responsável por apresentar a palavra santo com estes significados. Ora, realmente alguns destes adjetivos listados realmente condizem com o verdadeiro significado da palavra e estes são os itens 2, 3, 7. Os outros itens são questionáveis sobre o real sentido da palavra. Partindo do ponto em que a palavra é conhecida entre nós brasileiros, por conta das doutrinas católicas, que se baseiam na bíblia, temos que lembrar sobre a origem da fé cristã. Jesus Cristo é descendente de Davi, judeu da tribo de Judá, que veio do povo israelita, do povo hebreu. A bíblia foi escrita por pessoas desta descendência sob a inspiração do Espírito Santo de Deus. Todos os livros da bíblia foram escritos em hebraico, aramaico e grego. Pois bem, em hebraico, a palavra santo significa o ato de “cortar” e no grego “separar – separado”.
Então, quando lemos a bíblia e Jesus fala aos discipulos para eles serem santos porque ele é santo, significa que devem se separar dos procedimentos, pensamentos, filosofia de vida que é aceito pela maioria das pessoas na face da terra. Naquela época vigorava a lex talionis ou lei de Talião, codificada por Hamurabi, da Babilônia, o tal do olho por olho, dente por dente, ou seja, a lei do direito de vingança, de pagar na mesma medida, se alguém me der um soco, eu devolvo outro (o mc Thaide foi mais além: “Me atire uma pedra, que eu te atiro uma granada, se tocar em minha face sua vida está selada”).
Eis que veio Jesus e disse:
“Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra” – Mateus 5:39.
O que Cristo quis dizer com isso? Ora, não quer dizer que você ao tomar um soco, deva pedir para receber outro, isso é óbvio. O que Jesus quis dizer, já está claro no começo de sua frase, para não resistir ao mal e não entrar no código de Hamurabi. Diz para compadecermos das pessoas que agem com maldade e retribuirmos com amor. O que? Tá maluco? Nem a pau que vou amar quem em fez o mal! Pois é né, Jesus disse:
“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” –  Mateus 5:43-48.
A santidade não é de maneira alguma uma exclusividade para certas pessoas ditas especiais, iluminadas, escolhidas ou seja lá que besteira que inventaram, é uma condição que qualquer ser humano tem capacidade de praticar. Ser santo não é ficar falando de um jeito estranho com um olhar aéreo, fazer “milagres”, desafiar as leis da ciência, é ter uma conduta justa e de amor verdadeiro, mas não do ponto de  vista do ser humano, mas de Deus. O amor de Deus é o que ama o tipo mais desprezível de pessoa, pois acredita que essa pessoa tem realmente algo bom e pode se transformar em um indivíduo melhor, a justiça de Deus não é tendenciosa para beneficiar a vontade pessoal de alguém, prejudicando outra.
Um exemplo, se um caminhão de frango congelado capota na marginal Tietê e a mercadoria se espalha pela pista, o que o pessoal faz se não estiver a polícia no local? Quase todo mundo pega. Isso é roubar! “Ah, mas todo mundo faz isso, o frango ia estragar mesmo, mercadoria perdida, né?”. Ainda tem algum outro espertinho que manda essa: “Na real estamos fazendo um favor, evitando que a mercadoria seja perdida e ajudando a liberar a pista”. Se o motorista, com a autorização da empresa, autoriza a doação da mercadoria à população no local, são outros quinhetos, caso contrário merrrmão, é roubo!
Enfim, santidade tem haver com não fazer o que a maioria faz e que no fundo sabemos que não é lá correto. Ser santo não é ser um chato e ficar se achando melhor do que os outros e pior, ficar acusando o erro dos outros, pois segundo a bíblia, quem fica acusando as pessoas é o capiroto, é, o prório satanás, o adversário de nossas almas. Ser santo é se separar dos maus hábitos que se tornaram comum e até aceitáveis dentro da sociedade.
Peraí, mas e o título deste post? É o título do livro escrito pelo ex-goleiro do Palmeiras, o Marcos, conhecido como São Marcos. Criou-se um misticismo 25 de Março sobre suas defesas “milagrosas”, quando ele “salva” o time nos momentos mais difíceis e toda uma cultura supersticiosa que envolve nosso país. Me parece que o Marcos sentiu o peso desse apodo que lhe foi dado e acabou lhe dando o ato inspirado de se safar desse fardo com essa frase. O legal é que o cara mostra humildade, mesmo que provavelmente ele acredite que a santidade tem haver com aqueles adjetivos que coloquei no início, algo extra-humano. Mas também pode soar (não estou afirmando que seja de fato) um pretexto para justificar eventuais pisadas na bola que aconteceram  e um alibi para as que podem acontecer intencionalmente ou não (afinal, a nossa própria consciência nos avisa antes se estamos prestes a fazer algo de errado).
Mas o que me inspirou escrever este post, foi o noticiário sobre o lançamento do livro, em que uma multidão se deslocou para a livraria para ter seu exemplar autografado pelo autor. A sessão de autógrafos se estendeu por parte da madrugada e a organização teve muitas dificuldades em manejar aquela multidão que não era esperada. Aquilo me fez pensar no que as pessoas fazem de suas vidas, não só no caso do livrinho do goleiro, mas em várias situações, como o show da Madonna, do Restart (é né…), como elas se sacrificam por algo tão efêmero e tão futil (do ponto de vista geral, não do ponto de vista pessoal, pois cada um determina o valor das coisas em sua própria vida). Essas pessoas gastam horas de fila, empurrões e até brigas para ter um rabisco num pedaço de papel, mas na maioria, nunca tem tempo para Deus (já que boa parte tem lá a sua fé em Deus).
Acham sofrimento ficar 2 horas dentro de uma igreja ou ter 1 hora de leitura da bíblia.  Mas é o seguinte, ir à igreja não vale nada à pena se a pessoa ir para cumprir um mero protocolo religioso e social. Ir à igreja é um ato simbólico no sentido físico de ir fazer uma visita na casa de Deus e ter um momento especial de comunhão com ele e nossos irmãos espirituais, ouvir palavras de sabedoria. Os rituais são perda de tempo se não há verdadeiro entendimento, livre de vícios religiosos, pois o verdadeiro culto à Deus é racional.
“Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.” – 2 Coríntios 9:7.
Essa afirmação que o apóstolo Paulo escreveu para os membros da comunidade cristã da cidade grega de Corinto é usada muitas vezes na questão de ofertas na igreja (não é dízimo!). E oferta sempre foi uma coisa voluntária na igreja de Cristo. Oferta não é só dinheiro e nunca foi. Qual a coisa mais valiosa que nós temos? A nossa vida, não? O que vale mais que o dinheiro que inclusive nós mesmos alugamos por dinheiro? Ora, é o tempo. Quando estamos em algum emprego, geralmente se trabalha por hora, nossa carteira de trabalho, aposentadoria e benefícios é regida por tempo de serviço. Tempo é tão precioso também pelo fato de que é algo que nunca podemos recuperar o tempo que se foi. A expressão “recuperar o tempo perdido” na verdade é enganosa, pois o que podemos fazer é agir e aproveitar de uma maneira melhor e diferente do que antes.
As pessoas vivem dizendo que não tem tempo pra nada…

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  1. Pingback: O doce veneno de falar mal dos maus. | O evangelho não é religião

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